quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Core training faz parte de metodologia de preparador físico corintiano


Flávio Trevisan vê maior exigência e refinamento no futebol atual e sua área de atuação como um dos quesitos que podem reduzir as dificuldades na concorrência

Para chegar a nove rodadas do término da Série B do Campeonato Brasileiro com tanta folga em relação aos principais rivais em disputa por uma vaga à elite do Nacional na temporada de 2009, o Corinthians se preparou. Se o plantel, recheados de jogadores com qualidade técnica, destoa nesse sentido, um outro aspecto de absoluta importância tem relação direta com essa condição: o físico.

Com a aposta em uma comissão formada por profissionais que já haviam vivido experiência semelhante, o clube do Parque São Jorge deu início ao projeto, que deve ver ratificado seu planejamento já nos próximos jogos da segunda divisão, ainda no Estadual. Na companhia do badalado treinador do Grêmio, Mano Menezes, que subiu com o time gaúcho após um ano no torneio de acesso, estava de volta Flávio Trevisan.

O preparador físico da equipe gaúcha nos três anos anteriores, que participou também da campanha até a final da Libertadores da América de 2007, regressou ao Corinthians após mais de uma década. E diante de uma estrutura bem diferente da de tempos atrás, implementa alguns procedimentos que considera relevantes, como a caixa de areia para atividades específicas, a crioterapia e o core training.

“O futebol está caminhando para o trabalho funcional. Eles são realizados em conjunto com o core training. Há uma possibilidade infinita de trabalhos, os jogadores não gostam, mas temos notado que, quanto mais eles conseguem se segurar naquela posição, ele tem movimentos melhores dentro de campo. Seja num salto, num giro, na recuperação de uma virada”, explicou Trevisan em relação a esse trabalho preventivo, influente no rendimento e cada vez mais utilizado na modalidade.

Tal abordagem se deu no fim do último mês, durante o I Congresso Brasileiro de Ciência e Futebol, realizado na sede do próprio Corinthians, e que contou com a organização de Daniel Portella, fisiologista alvinegro.

De origem anglo-saxônica, core é uma palavra que se referencia a “centro, região central ou fundação”. No corpo humano, o local é compreendido como o centro de gravidade das pessoas, constituído por músculos da parede abdominal, coluna lombar, restantes extensores da coluna e músculos da cintura escapular.

Os 29 músculos de origem pélvica representam um suporte importante para o sistema muscular. E o seu trabalho sinérgico permite a estabilização do tronco durante os movimentos dos membros.

Dessa forma, no ambiente da atividade física, o treinamento que foi desenvolvido com a intenção de reduzir dores e problemas nas costas dos pacientes, delineou-se como algo capaz de melhorar a base do tronco dos atletas durante os movimentos, conferindo-lhes mais firmeza e estabilidade nas ações especiais dos mais variados esportes.

“Procuramos, com isso, a desestabilização, para que o jogador fortaleça a região do quadril, onde não há um trabalho muito específico para isso”, aponta Trevisan.

Ao desembarcar no Corinthians, foram 14 dias de preparação entre a primeira sessão de atividades e a estréia no Campeonato Paulista. Nesse período, três blocos de treinos foram preparados.

O primeiro, de 4 a 6 janeiro – recuperação no dia 7; o segundo, de 8 a 10 janeiro, com espaço para reabilitação no dia 11; por fim, treinamento de 12 a 16 daquele mês, com ênfase no equilíbrio entre a parte de recuperação física e as partes técnica e tática, às vésperas de debutar no certame, contra o Guarani, dia 17.

“Nesses 14 dias trabalhados, convivemos com jogadores chegando de vários lugares, com biótipos totalmente diferentes. Mas houve uma mudança muito grande em termos de estrutura. É a quarta vez que estou no Corinthians e ela é uma das coisas que nos deu um suporte para que pudéssemos homogeneizar nossos atletas e a equipes como um todo”, elogiou.

Nesse hiato entre eliminação na primeira fase do Paulista, final da Copa do Brasil e comodidade na tabela da Série B, previu-se a dosagem de volume de intensidade do treinamento para quem joga, quem fica no banco e quem sequer é relacionado – os três grupos trabalhados em uma estrutura profissional de futebol.

“Tomamos um cuidado especial para que todos andem sempre juntos. Não são 11 que jogarão o ano inteiro. Há necessidade de um preparo geral. Quem ganha é o grupo. Muitas vezes é necessário trabalhar de forma diferente para se obter um resultado positivo”, complementa Trevisan.


Bruno Camarão

fonte:universidade do futebol

domingo, 3 de janeiro de 2010

CORE 360 TREINAMENTO FUNCIONAL

Estarei abordando agora no início do ano de 2010 alguns assuntos, estudos e materias relacionados ao Treinamento Funcional e suas aplicações dentro do treinamento de futebol.
Iniciarei com uma breve introdução a respeito do CORE e Treinamento Funcional, prosseguindo com algumas metodologias a serem aplicadas e demonstrações de exercícios a serem realizados.

O treinamento do core para o alto rendimento


Utilizado na Grécia Antiga, o treinamento funcional ressalta a importância da especificidade e da funcionalidade nos esportes


Rafael Martins Cotta


Atualmente, a questão do treinamento não está apenas ligada aos âmbitos técnico, tático, físico, de força, velocidade e flexibilidade, e sim, à especificidade e funcionalidade das modalidades e gestos a se realizarem na competição.

A falta de especificidade nos treinamentos pode atrapalhar a evolução do atleta de acordo com a modalidade, ou seja, treinos que diferem os exercícios do desporto ocupam o tempo de preparação com itens menos eficientes. O termo funcional, muito usado nos dias de hoje, refere-se à função que o exercício tem com a musculatura e os movimentos envolvidos na atividade principal, e que este treinamento seja planificado cada vez mais, buscando suprir essas funções específicas da modalidade.

Porém, o treinamento funcional não é uma novidade, pois a funcionalidade do ser humano já foi uma questão de sobrevivência, como nos 12 trabalhos de Hércules, nos jogos olímpicos da Grécia Antiga, e em Roma Antiga entre os gladiadores, onde eram criados meios e métodos de treino específicos para superação de seus resultados.

Em outras palavras, “core” significa núcleo, ou seja, um tipo de treinamento que trabalhe a região central do corpo, o ponto de equilíbrio, considerando que um centro de gravidade bem fortalecido poderá melhorar o rendimento das atividades funcionais do corpo em relação às atividades desportivas e/ou cotidianas.

Existem diversas nomenclaturas para a mesma técnica, porém, todos se referem a uma descrição genérica do controle muscular abdômino-lombopélvico necessário para estabilizar a coluna lombar e proporcionar estabilidade funcional de todos os segmentos corpóreos. O trabalho visa estabilizar 29 músculos de forma coordenada, sendo neste grupo onde se iniciam movimentos que se realizam tanto com os membros inferiores quanto com os superiores. O conjunto destes músculos pode ser dividido em dois grupos:

1) Músculos superficiais ao redor da região lombar e abdominal (reto-abdominal, para-vertebrais e oblíquos externos), possuindo em sua maioria fibras de contração rápida e um grande braço de alavanca, podendo desenvolver um grande torque auxiliando na aceleração e desaceleração do tronco;

2) Músculos profundos e intrínsecos responsáveis pelo ajuste postural nos movimentos (transverso do abdômen e multifídeo).

Arranques, acelerações, giros, podem ser mais eficientes com um core mais fortalecido e o melhor deste trabalho está em prevenir lesões advindas do centro corporal muitas vezes enfraquecido. Um treino que englobe esses dois grupos torna o trabalho mais eficaz, relacionando rendimento com prevenção.

Desportos como o futebol, por possuírem um grupo extenso de jogadores, deixam os atletas expostos ao sofrimento de lesões pela alta intensidade das ações, volume, contato físico, etc. Torna-se difícil para a comissão técnica poder contar com todos os atletas para as partidas, sendo que muitas vezes erroneamente os preparadores físicos são culpados pelas lesões dos jogadores. Atletas treinam em altos volumes e intensidades, e competem em altos picos de carga, sendo que, como já descrito anteriormente, os mesmos estão sujeitos a se lesionarem. O trabalho que pode ser realizado é o preventivo. Mesmo assim, está-se longe de afirmar que acabaremos com as lesões, e sim se minimizarão as suas ocorrências.

Muitas vezes, essas lesões aparecem por regiões enfraquecidas, principalmente na parte central, em musculaturas auxiliares, onde o trabalho de força realizado não causa adaptações.

Por conta dessa região ser o ponto de equilíbrio corporal, o trabalho a se realizar relaciona-se à capacidade física de coordenação, treinando o equilíbrio com consequente obtenção de um movimento mais estável e com maior funcionalidade, enfatizando a região do core com trabalhos próximos ao gesto desportivo. O treinamento isométrico destas regiões compensará a falta de equilíbrio e, quando exigida, poderá, provavelmente, evitar uma lesão.

Entende-se por transferência a relação do treinamento com o gesto técnico e motor específico da modalidade, em que, quanto mais específico for o exercício, maior será a transferência para o gesto e, consequentemente, maior rendimento desportivo.

O treinamento do core requer certo nível de conhecimento e especialização dos profissionais que trabalham com ele, sabendo seguir os programas, os volumes, as fases, as intensidades, e outros itens necessários para aplicação deste tipo de atividade. Uma aplicação adequada pode trazer resultados importantes num macrociclo, tanto no rendimento atlético quanto na prevenção das lesões.

Apesar da atual popularidade do core, poucos estudos têm sido feitos para demonstrar o benefício para atletas saudáveis.

Bibliografia:

Fredericson M; Moore T. Core stabilization training for middle-and long-distance runners. New Studies in Athletics. 2005; 20:1; 25-37.
www.wikipedia.com.br: acesso em 19/10/2009.

Richardson C; Jull G; Hodges P; Hides J. Therapeutic exercise for spinal segmental stabilization in low back pain: scientific basis and clinical approach Edinburgh (NY): Churchill Livingstone: 1999.

Akuthota V, Nadler S F. Core Strengthening. Arch Phys Med Rehabil. 2004; 85(3 Suppl 1): S86-92.

Leetun D T; Ireland ML; Willson JD; et al. Core stability measures as risk factors for lower extremity injury in athletes. Med Sci Sport Ex. 2004; 926-934.

Marshall PW; Murphy BA. Core stability exercises on and off a Swiss ball.
Arch Phys Med Rehabil. 2005; 86; 242-9

J. Strength Cond. Res. 2007 Aug; 21(3):979-85.




sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO DE 2010



Desejo a todos que acompanharam e acompanham meu trabalho um Feliz Natal e um Ano de 2010 ainda melhor, com muitas realizações e sucesso !

sábado, 19 de dezembro de 2009

FUTSAL DE JACAREZINHO CAMPEÃO GERAL DA LIGA SUL NORTE PIONEIRO DE DESPORTOS


O futsal jacarezinho, categoria juvenil, conquistou no último final de semana na cidade de Siqueira Campos/PR, pela liga sul norte pioneiro de desportos, o título de campeão geral da competição ao vencer outros 11 municípios (Ibaiti, Telêmaco Borba, Siqueira Campos, Tibagi, Andirá, Prudentópolis, Carambeí, UPE-S.A.Platina, Imbituva, Arapoti e Conselheiro Mairinck). A liga foi disputada em cinco etapas, onde quem somasse a maior pontuação em cada etapa seria campeão geral, assim sendo na i etapa em Carambeí ficamos em 2º lugar (em virtude da fatídica bolada recebida nos olhos do nosso atleta Eduardo, que nos preocupou muito, mas graças a deus não foi tão grave perto do quadro que se apresentava); na segunda etapa realizada em Andirá nos tornamos campeões da etapa (vitória dedicada ao “duzinho”); na terceira etapa que aconteceu em Tibagi não fomos tão bem assim ficando em 5º lugar; na quarta etapa realizada em Telêmaco Borba perdemos a semifinal para o time da casa, mas ficamos em 3º lugar e começamos a enxergar a possibilidade de sermos campeões gerais; em virtude de outros resultados dos adversários durante as etapas, fomos para a última etapa com uma vantagem de sete pontos sobre o segundo colocado e com possibilidade de chegar a sexto lugar que seríamos campeão geral. Antes mesmo de viajar soubemos que a cidade de Andirá (que estava no nosso grupo) não iria a Siqueira Campos e como éramos três equipes no grupo, soubemos antecipadamente que éramos campeões gerais da liga, mas mesmo assim fizemos dois jogos de arrepiar contra o time da casa onde mesmo perdendo uma partida e empatando a outra, ficamos em 2º lugar no grupo, posição essa que nos valeu a 5ª colocação na etapa e o título geral da liga somando o total de 50 pontos, cinco a mais que Ibaiti, segundo colocado. Gostaria de agradecer a todos que nos ajudaram de uma maneira direta ou indireta para chegar aonde chegamos, principalmente a prefeitura municipal de jacarezinho na pessoa da nossa prefeita municipal Tina Toneti que desde o início quando foi colocado o projeto do nosso trabalho nunca nos negou nada confiando no nosso trabalho, estendo essa confiança também a nossa secretária municipal de educação, cultura e esportes, Prof.ª Laura e a nossa colega e diretora de esportes, Profª. Nilda. Obrigado aos motoristas “Flor”, “Cará” e Luizinho que estiveram nessa caminhada conosco, pois sem eles não chegaríamos a lugar nenhum (literalmente falando). Obrigado ao professor Périco que nos ajudou no começo do ano, mas principalmente obrigado aos atletas que desempenharam um papel fundamental nesse nosso trabalho, pois independente de quem conseguiu ser campeão ou não, foram todos de uma raça sem igual honrando o nome de jacarezinho.
Valeu: Tibíula, Boy,Lê, Garça, Pedrão, Júlio, Jú, Bost..., Helton, Pesco,Luiz Alfredo, Fraldão, Daniel, Coelho, Padeiro, Teta, Luquinha, Gustavão, Douglinhas, Duzinho, Rafinha, Rodrigo, Gustavo, Marlon, Sorriso e Shelkinho.
Jairo B. Stramare
Técnico futsal Jacarezinho

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

COACHING COM PNL (Produção Neuro Linguística)

Gilberto C. Cury
Presidente da Sociedade Brasileira de PNL

A palavra coach tem origem na idade húngara - Coache, onde foi inventada a carruagem ou Coache com o objetivo de levar pessoas de um lugar para outro.
Incorporado no mundo dos esportes para designar o treinador.

O Coaching com PNL significa ajudar as pessoas. Envolve a criação de mudanças de dentro para fora. A PNL tem técnicas poderosas que identificam comportamentos verbais e não verbais. Compreendendo o que as pessoas dizem e fazem você pode ajudá-las a construir novos modelos de comportamento.

Coach é o papel que se assume quando se compromete a apoiar alguém a atingir um determinado resultado. O Processo de Coaching propõe-se a ser uma relação de parceria que permite o verdadeiro potencial das pessoas ser revelado e melhorar substancialmente o resultado alcançado por elas.

Como coach tenho que ter a consciência que talvez o que me levou a ter sucesso, não necessariamente levará o outro.

Raramente o caminho do auto desenvolvimento se faz sozinho. Precisamos do outro para nos ajudar a observar nossas próprias ações, as conseqüências de nossos atos, nos servir de espelho, de apoio quando o caminho fica especialmente difícil.

Os grandes heróis de nossa cultura ao trilharem suas jornadas tinham alguém em que se apoiar – um mestre, um amigo que exercia este papel: Rei Arthur com Merlin, Pinóquio e grilo Falante, Virgilio e Dante, Luke Skywalker e Yoda.

Coaching é um processo de alto impacto na produtividade, Mentoring ajuda no apredizado e crescimento individual e da equipe. Ambos criam o ambiente que Peter Senge chama de organizações que aprendem, criando vínculos entre as pessoas, compromisso com resultados e com auto desenvolvimento.

O Coach deve ter como objetivo fazer as coisas acontecerem através das pessoas e não apesar das pessoas.

O compromisso em apoiar a equipe para atingir determinados resultados, e a equipe decide por livre escolha receber o apoio.
Líder, mesmo o bom, não é necessariamente coach/mentor. Líder deve ser também coach/mentor, ou desenvolver o estilo coach/mentor.
Nestes processos estamos sempre trabalhando com hipóteses. É importante aceitar visões diferentes. O segredo é não acreditar que sua versão é a única verdade. Aqui aparece mais uma diferença entre o coach e o mentor. O mentor se baseia no seu conhecimento/ especialidade. O coach se baseia na experiência e sensibilidade.

O coach e o mentor não estão comprometidos apenas com o resultado, mas com o ser humano como um todo, com sua realização e com seu desenvolvimento.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Cantarele fala da profissão e Palmeiras em entrevista exclusiva

O preparador de goleiros do Palmeiras, Antônio Luiz Cantarele, ou apenas Cantarele, como é conhecido, 55 anos, concedeu uma descontraída entrevista ao site oficial para abordar diversos assuntos relativos a profissão, futebol e Palmeiras. Às vésperas do jogo contra o Flamengo, Cantarele comentou sobre sua vitoriosa carreira de quase 20 anos no clube carioca (foram 549 jogos), e relembrou, para alegria dos palmeirenses, da histórica vitória do Palmeiras sobre o Flamengo no Maracanã, no Campeonato Brasileiro de 1979. Ele era o goleiro do time rubro-negro na ocasião. Campeão do mundo e da Copa Libertadores como atleta com o Flamengo, em 1981, e com a experiência de ter ingressado a comissão técnica do Japão na Copa do Mundo de 2006, Cantarele explica os segredos da profissão de preparador, fala sobre a escola de goleiros do Palmeiras e da importância que teve para Marcos em seu atual momento na equipe.

Site - Palmeiras e Flamengo jogam nesta quarta-feira no estádio do Maracanã. Sua ligação com o Flamengo é total, afinal, foram quase 20 anos de carreira no clube carioca. Quais as recordações que você tem desse período?


Cantarele - O Flamengo foi minha segunda formação, devo muita coisa que eu tenho na vida ao clube. Realizei um sonho de criança e também consegui ajudar financeiramente minha família. Foram muito mais alegrias do que tristezas. Mas minha maior felicidade foi ter atuado numa época de ouro, nas décadas de 70 e 80, quando ganhamos tudo, e ter construído amizades que eu carrego até hoje. São coisas que não tem preço. Hoje, no entanto, posso dizer que sou profissional. O que eu fiz no Flamengo jamais será esquecido. E também estou querendo plantar minha semente aqui no Palmeiras.

Site -
Você era o goleiro do Flamengo numa partida que nenhum torcedor do Palmeiras esquece, pelo Campeonato Brasileiro de 1979, quando o Palmeiras venceu por 4x1, em pleno Maracanã. O que você se recorda desse jogo?


Cantarele - Para falar a verdade, não sou muito bom de memória, mas lembro que foi um jogo atípico. O Palmeiras fez uma partida brilhante e a partir dali arrancou para fazer uma linda campanha, na época dirigido pelo Telê Santana. Eu lembro de um dos gols que eu sofri, quando tentei dar um lençol no Jorge Mendonça e perdi a bola. Lembro também que o estádio estava completamente lotado. A torcida do Flamengo saiu decepcionada, e a do Palmeiras, que estava em grande número, mal conseguia acreditar no que estava acontecendo.
Obs. 113 mil pessoas lotaram o Maracanã, em jogo pela fase final do Brasileiro de 1979. O Flamengo tinha um timaço e jogou com Cantarele; Toninho Baiano, Manguito, Dequinha e Júnior; Carpegiani, Adílio (Beijoca) e Zico; Reinaldo (Carlos Henrique), Cláudio Adão e Tita. O técnico era Cláudio Coutinho. Já o Palmeiras, dirigido por Telê Santana, foi a campo com Gilmar; Rosemiro, Beto Fuscão, Polozzi e Pedrinho; Pires, Mococa e Jorge Mendonça; Jorginho (Carlos Alberto Seixas), César (Zé Mário) e Baroninho. A partida teve tanta repercussão que após a partida, o técnico Telê Santana foi convidado para dirigir a seleção brasileira.

Site - Passava pela sua cabeça um dia se tornar preparador de goleiros?


Cantarele - Nunca passou. Na verdade, me tornei preparador porque meu contrato com o Flamengo terminou três meses antes do previsto, em 1989. O Jorge Helau, diretor da época, me ofereceu o cargo de preparador de goleiros, e ao mesmo tempo eu comecei a trabalhar também com o time infantil. Acumulei funções e, quando eu vi, já estava exercendo a profissão. Mas posso dizer que me preparei. Com o tempo, fiz cursos, inclusive de treinador. Fiquei um tempo fora do Brasil e, quando retornei, precisei me atualizar. Foi positivo e eu posso garantir que eu gosto do que eu faço.

Site - É mais fácil ensinar como preparador, ou aprender como um goleiro?


Cantarele - Isso depende muito do profissional que ensina e do goleiro que é ensinado. Como preparador de goleiros, eu sempre tive facilidade para passar minha metodologia. No meu trabalho, costumo usar bastante o diálogo. Existem goleiros que não aceitam opiniões. Às vezes, o que eu acho necessário para mim não é o pensamento do profissional que está com você. Mas todos os goleiros que passaram por mim sempre entenderam muito bem aquilo o que eu queria deles.

Site -
Para ser preparador de goleiros, é necessário ter sido um grande goleiro?


Cantarele - Não acho isso. Acho que é necessário, sim, ter sido um ex-goleiro. Não importa se foi ótimo ou regular. A vivência do profissional nessa área conta muito. São experiências de vida e exemplos práticos que podemos passar com segurança.

Site -
A profissão de preparador de goleiros é extremamente necessária para o futebol? O que você pensa a respeito disso?


Cantarele - Acho que se não existisse o preparador de goleiros, o futebol não deixaria de existir. Mas acho uma profissão muito importante. Nos últimos anos, evoluiu bastante e só trouxe benefícios para a posição. Nossa presença acrescenta sempre alguma coisa, até porque as últimas mudanças nas regras da Fifa sempre tiveram os goleiros como principais prejudicados. Nós podemos ajudar.

Site -
Um preparador de goleiros consegue transformar um goleiro 'ruim' em bom ou ótimo?


Cantarele - É num caso desse tipo que o preparador de goleiros é importante. Dá para conseguir tranformar um goleiro ruim em bom, sim. Nós podemos ensinar algo que eles ainda não sabem quando jovens. Mas essa coisa de bom ou ruim é relativo. Depende do momento, do time que joga. Já vi goleiros 'mais ou menos' em ótimos times se darem muito bem. E já vi goleiros excepcionais que, por obra do destino, atuarem em times fracos. A reputação deles foi para o buraco. Tem muito dessas coisas no futebol.

Site -
Considera a profissão de goleiro a mais difícil num time de futebol?


Cantarele - Com certeza. O goleiro jamais pode falhar. No Brasil, a profissão de goleiro é muito complicada, mas acho que as coisas estão melhorando. Os críticos e principalmente os estrangeiros tem dado mais valor aos nossos goleiros. Mas a verdade é que o futebol foi feito para os atacantes. Quem faz gol é quem se consagra. Isso nunca vai mudar.

Site -
Agora falando do Marcos. A que você atribui a boa fase do goleiro palmeirense?


Cantarele - De todos os goleiros que eu já trabalhei, posso dizer que o Marcos é realmente diferenciado. Ele é diferente em tudo, é um dom que ele tem. O Marcos é um goleiro que já nasceu com qualidades impressionantes, e carrega isso com ele até hoje. Sempre superou as dificuldades, que não foram poucas, com confiança. Claro, não vou tirar meu mérito nesse momento atual dele. Tem uma pontinha do meu trabalho nisso, mas é claro que a qualidade dele é o fator fundamental para essa fase brilhante.

Site -
Dá para considerar ele um dos melhores goleiros do Brasil na atualidade? Acha que ele merece estar na próxima Copa do Mundo?


Cantarele - Não tenho dúvida disso. O Marcos tem totais condições de ser o número 1 do Brasil, sem tirar o mérito dos outros. A idade é o que menos conta nessa hora. Um goleiro, se bem preparado, pode jogar até 38, 40 anos. O Marcos tem experiência, um currículo vitorioso, já provou seu potencial desde o início de 2008...Não precisa provar mais nada a ninguém e, seja como titular, seja para compor o grupo, a presença dele seria importante em todos os aspectos na Copa do Mundo de 2010.

Site -
Você chegou no início do ano para assumir a tradicional escola de goleiros do Palmeiras. O que esperar da futura geração do clube?


Cantarele - Posso garantir que o Palmeiras está muito bem servido na posição. O Bruno e o Deola são muito semelhantes ao Marcos como pessoas, totalmente comprometidos com o trabalho e conscientes que são o futuro do clube. Não se acomodam e estão sempre dispostos a evoluir. E também temos os mais jovens, casos do Raphael Alemão, Rafael Dida e o Fábio. Eles já estão treinando com o time profissional para pegarem vivência e ainda mais experiência. Também gostaria de citar o Fernando [Miranda, auxiliar], que há um bom tempo vem desempenhando um papel importante ao lado dos nossos goleiros.

Site -
Desde sua chegada ao Palmeiras, o que você aprendeu ao lado de Valdir Joaquim de Moraes, mestre da profissão de preparador de goleiros?


Cantarele - O Valdir foi o primeiro preparador de goleiros do futebol brasileiro. E após 40 anos, ele continua ensinando cada um de nós. Ele tem uma experiência impressionante, sabe a hora certa de falar e está sempre conversando com todos do elenco. O Valdir é de fala mansa, mas suas palavras são sábias. A importância dele para o Palmeiras é enorme.

Site -
Você deve a quem tudo o que conquistou na carreira até hoje?


Cantarele - Posso falar com propriedade que minha família, em especial minha esposa e minha filha, foram o alicerce de tudo o que aconteceu comigo. Nos momentos bons, é fácil estar do lado. Mas elas sempre estiveram comigo nos momentos de dificuldade, de cobranças. Quando fiquei um bom tempo no Japão e nos Emirados Árabes Unidos, elas estavam lá, sem reclamar. Tudo o que eu tenho na vida, também devo a elas.